COOPEREMOS PARA A BOA LINGUAGEM #5/7
A boa linguagem é uma exigência cada vez maior em todas as áreas de atividade. A expressão de determinada idéia, vontade ou fato precisa ser traduzida por sinais que tenham significado consensual entre o emissor e o receptor.
Em outras palavras, precisamos estar de acordo sobre o sentido e a definição do que dizemos e escrevemos para podermos ser compreendidos de forma efetiva.
As normas de uma língua servem justamente para isto: garantir a uniformidade necessária à boa comunicação.
Devido à extensão do material, decidimos dividi-lo em sete resenhas, a partir de 23-9-08. São questões sobre Ortografia (emprego das letras, acentuação, emprego do hífen e pronúncia correta), Morfologia (flexão dos substantivos e adjetivos, conjugação verbal, formação de novas palavras) e, finalmente, questões sobre Sintaxe (regência, concordância, crase e pontuação.
A grande experiência do professor Odilon Soares Leme na preparação de alunos do Ensino Médio resulta na linguagem especialmente didática destas resenhas, que leva o aluno a pensar e descobrir os encantos do português, as formas seguras do uso da língua e os modos de construção de um bom texto. O professor Odilon é um dos nomes mais respeitados em consultoria de Gramática e é professor de Redação.
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A educadora Kátia, do bairro CEA Carvalho, em São Paulo, pergunta pelo correto emprego da expressão “a gente”. Segundo ela, é correto dizer, por exemplo, “a gente fomos ao cinema ontem” no caso de as pessoas do grupo a que me refiro não estarem comigo. Se, porém, estivermos todos juntos, o certo será “nós fomos ao cinema ontem”. Mas o verbo será sempre usado no plural.
Pelo amor de Deus, professora, jamais diga numa sala de aula “a gente fomos ao cinema ontem”, a não ser por evidente brincadeira. Embora traga a marca de informalidade, a expressão “a gente”, usada em vez do pronome “nós”, é admissível desde que o verbo fique no singular, como pede a concordância. Não importa se o grupo a que a expressão se refere está ou não presente, deve-se dizer “Nós fomos” ou então, mais informalmente, “a gente foi”. Mas dizer “a gente fomos” é muito mais que informalidade: é erro crasso, imperdoável entre pessoas escolarizadas.
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A secretária Vívian Muneratto, de Santo André/SP, quer saber qual é o plural do substantivo composto PALAVRA-CHAVE.
Pela regra geral, quando os dois elementos de uma palavra composta são substantivos, ambos se flexionam para se formar o plural. É o que acontece, por exemplo, com decreto-lei, que faz o plural decretos-leis, e rainha-mãe, que faz rainhas-mães. O uso, porém, têm preferido deixar no singular o segundo elemento quando este é uma das palavras chave, padrão, modelo, alvo e algumas outras. Então, são tidos como legítimos os plurais palavras-chave, normas-padrão, escolas-modelo, públicos-alvo... Mas, como se pode observar nos dicionários, a forma em que os dois elementos variam deve também ser aceita. Pode-se, pois, dizer sem erro: palavras-chave e palavras-chaves.
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O engenheiro Dario Machado, da cidade de Catanduva/SP, quer saber quando se deve dizer “ter de” e “ter que”, ou “tenho de” e “tenho que”.
Quando se trata de exprimir a idéia de necessidade ou obrigação, tradicionalmente se recomenda a preferência pela forma ter de + infinitivo, tenho de + infinitivo. Generalizou-se, porém, o emprego de ter que + infinitivo, tenho que + infinitivo com esse mesmo valor de necessidade ou obrigação. O detalhe, nessa questão, é que existe uma outra construção com ter que ou tenho que na qual o que funciona como pronome relativo. É o que acontece, por exemplo, em “Não posso aceitar esse trabalho, pois já tenho que fazer” (= já tenho (coisa, trabalho) que fazer). Mas não há remédio. A equivalência entre ter de e ter que já está tão estabelecida, que um gramático do quilate de Cândido de Figueiredo não titubeou em escrever, no início do século passado: “Se quem possuir estes nomes os grafar assim, só temos que curvar-nos e ir pregar a outra freguesia.” (O que se não deve dizer, III, p. 306). Até ele deixou de lado o “ter de” e preferiu “ter que”.
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O estudante Rafael Gonçalves Pedersen, da cidade de Rio Claro/SP, pergunta: a palavra lanchonete realmente existe ou foi convencionada? Por que a terminação em “ete” se dizemos sorveteria, pastelaria, churrascaria, pizzaria, choperia, etc.?
A pergunta se baseia no pressuposto de que a palavra lanchonete tenha sido formada, dentro do português, pela anexação do sufixo –ete à palavra lanche. Mas isso não é verdade. A palavra lanchonete é importada. É o aportuguesamento da palavra inglesa luncheonette. No inglês, à palavra luncheon, forma erudita do popular lunch, foi anexado o sufixo –ette, que indica diminutivo, como aparece em cigarrette /’sí.gue.ret/ e kitchenette /kitchinet/. Como se vê, sinais dos tempos, preferiu-se importar uma palavra inglesa a formar a palavra lancharia ou lancheria para entrar na lista de sorveteria, pastelaria, churrascaria, pizzaria, choperia, etc.
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O servidor público Fernando Roberto Medeiros, do bairro do Paraíso, em São Paulo, e a estudante Patrícia, de Brasília, perguntam pelo nome do símbolo &.
Trata-se do sinal que, no teclado, aparece acima do número 7 (&) e se assemelha realmente a um S maiúsculo invertido, ou, então, à clave de sol invertida.. Podemos designá-lo como cifra ou monograma, que consiste no entrelaçamento das iniciais de um nome. No caso específico desse monograma, temos o entrelaçamento estilizado das letras E e T, que formam a palavra latina “et”, conjunção aditiva, que corresponde ao português “e” e ao inglês “and”. Trata-se de uma convenção, entre outras, criadas pelos copistas medievais. Seu uso, hoje, parece bastante limitado, mas aparece, por exemplo, em nomes de firmas comerciais, como em Torquato & Irmãos. Existe a série de histórias em quadrinhos intitulada Frank & Ernest. Gilberto Freire usa esse monograma no título de sua obra mais importante, Casa-grande & Senzala.
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A estagiária Andressa Sandrini Gonçalves, de Guarulhos/SP, pergunta pela forma correta da frase “Há pessoas que se esforçam para ingressarem em concursos públicos” ou “Há pessoas que se esforçam para ingressar em concursos públicos”.
Trata-se do problema da flexão ou não do infinitivo. É uma questão bastante complexa, já que ela deixa largo espaço para opções de natureza puramente estilística. Mas, no caso concreto apresentado pela resenhista, existe um princípio orientador bastante confiável: Não se flexiona o infinitivo que tenha o mesmo sujeito que um verbo já devidamente flexionado na oração anterior. Como na frase dada o sujeito de ingressar é o mesmo de esforçar-se, já devidamente flexionado, o infinitivo não deve se flexionar. O melhor é dizer “Há pessoas que se esforçam para ingressar em concursos públicos”.
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O educador Siloé, da cidade de Nortelândia/MT, quer saber se os ditongos ÉU, ÓI e ÉI, o trema e os acentos diferenciais já foram abolidos da língua portuguesa ou continuam.
É evidente que a pergunta se deve ao grande espaço dado recentemente pela mídia ao assunto Acordo Ortográfico. E, como se vê, não são poucos os mal-entendidos. O Acordo realmente prevê a extinção do trema e dos acentos diferenciais, com exceção do acento que distingue os pares pode/pôde e por/pôr. Em relação aos ditongos, só foram abolidos os acentos nos ditongos abertos –ói– e –éi– das palavras paroxítonas. Então não haverá mais acento em palavras como idéia, platéia, heróico, apóio... Mas o acento continuará nas oxítonas, como em chapéu, herói, papéis... Mas a grande questão é: quando entrará em vigor esse novo Acordo? Em recente palestra, o acadêmico Arnaldo Niskier disse com todas as letras: “Nada ainda está decidido. O Ministério da Educação adiou, sine die, ou seja, sem data marcada, a entrada em vigor”. Como se vê, tudo deve continuar como está em relação à ortografia oficial.
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O comerciante Luiz Fernando F. Santos, do bairro do Cambuci, em São Paulo, pergunta pela diferença entre INTERCORRÊNCIA e INTEROCORRÊNCIA. Quer saber se está correto o acento circunflexo.
Não há registro da palavra interocorrência. O que existe, e está devidamente registrado no VOLP, é apenas intercorrência. A palavra é formada do verbo intercorrer + o sufixo –ência. O verbo intercorrer significa acontecer no decurso de uma outra coisa ou logo depois dela; sobrevir, suceder. Assim, intercorrência consiste em ocorrer alguma coisa no decurso de uma outra. Uma moléstia intercorrente é uma moléstia que sobrevém no decurso de outra. O acento em intercorrência se justifica pela regra segundo a qual devem ser acentuadas palavras paroxítonas terminadas em ditongo. O acento é circunflexo porque o “e” seguido do “n” tem timbre fechado.
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O estudante universitário André Linard, de Fortaleza/CE, pergunta: Na frase “São características que, juntamente com seu carisma e dedicação, conferiram-lhe grande vantagem”, o pronome lhe está bem colocado? A presença do que não exigiria que o pronome lhe fosse colocado antes do verbo conferiram?
Se a frase fosse apenas “São características que conferiram-lhe grande vantagem”, haveria erro de colocação, já que o que, sendo pronome relativo, constitui partícula atrativa e, como tal, exigiria que o pronome lhe fosse colocado antes do verbo conferiram: O correto seria “São características que lhe conferiram grande vantagem”. Ocorre que, entre o relativo que e o verbo, foi intercalada a expressão “juntamente com seu carisma e dedicação”. Ora, a tradição dá língua ensina que, havendo intercalação de uma oração ou expressão, a partícula atrativa pode, indiferentemente, manter ou perder sua força de atração. É o que explica a colocação do pronome depois do verbo, mesmo havendo a partícula atrativa que, nesta frase de Machado de Assis: “Mas a primeira parte se trocou por intervenção do tio Cosme, que, ao ver a criança, disse-lhe entre outros carinhos...” (Dom Casmurro, cap. CVIII). Então, não há nada de errado na frase “São características que, juntamente com seu carisma e dedicação, conferiram-lhe grande vantagem”.
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O aposentado Silas Ribeiro da Silva, de Diadema/SP, quer saber se o correto é “As coletas ENCERRAM-SE neste mês” ou “As coletas SE ENCERRAM neste mês”.
As duas maneiras de colocar o pronome estão corretas. A colocação do pronome antes do verbo (próclise) é obrigatória apenas quando ele é precedido de uma partícula atrativa, como palavra negativa, pronome relativo, advérbios, etc. Mas pode-se usar a próclise mesmo que não haja partícula atrativa, desde que a frase não se inicie com o pronome átono. Então, pode-se dizer indiferentemente “As coletas ENCERRAM-SE neste mês” ou “As coletas SE ENCERRAM neste mês”. O que não se pode – e com isto estou respondendo à administradora Andrea Flores, do Rio de Janeiro/RJ – é começar uma frase com pronome átono. A forma correta de iniciar a frase é “Aplica-se às áreas...” e não “Se aplica às áreas...”
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O profissional de vendas técnicas Rubens Zeron, da cidade de Mogi das Cruzes/SP, pergunta se a expressão “DESCARGO de consciência” é correta.
Sem dúvida. A expressão descargo de consciência é corretíssima, e foi usada pelo Padre Vieira numa de suas cartas ao rei de Portugal. Escreve ele: “Isto é, senhor, o que me pareceu representar a V.M., por satisfazer à minha obrigação e por descargo da minha consciência...” (Cartas de Vieira, p. 436). Hoje em dia, há preferência pela forma desencargo de consciência. Quanto ao verbo correspondente, Vieira usou o verbo desencarregar, mas as pessoas hoje preferem dizer descarregar. De qualquer modo, a idéia veiculada por essas expressões é de aliviar, desobrigar, tirar um peso de.
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A aposentada Elody Menezes, da cidade de São Gabriel/RS, pergunta pelo significado da palavra ADLOQUIAL. Diz que não a encontrou nos dicionários que possui, inclusive o Houaiss e o Aurélio.
É verdade. Nem mesmo na última edição do VOLP, que é de 2004, aparece a palavra adloquial. Trata-se de um termo criado para formar par opositivo com o termo coloquial. Chama-se de linguagem coloquial a linguagem espontânea do dia-a-dia, a conversação informal. Com efeito, “colóquio” é formado do elemento “loqui”, que quer dizer “falar”, mais o prefixo “co-”, que significa “com”. Assim, o coloquial traz a marca de informalidade. Então, por oposição ao coloquial, criou-se o termo adloquial, em que o elemento “loqui” vem precedido do prefixo “ad”, que significa “para”. Indica a linguagem usada em situações formais, quando se fala para pessoas e não com pessoas. É o caso de um artigo no jornal, de uma palestra.. No caso, emprega-se uma linguagem mais cuidada, mais polida, ou seja, o registro culto.
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O contador Sebastião Alves Ferreira Sobrinho, de Cerqueira César, em São Paulo, pergunta se, no Pai Nosso, em lugar de dizer “MAS livrai-nos do mal”, não deveria ser dito “e livrai-nos do mal”, já que não há oposição, mas concordância com o que vem antes, “não nos deixeis cair em tentação”?
Curiosamente, a mesma pergunta é feita pelo aposentado Clóvis Bueno de Campos e pelo corretor de imóveis Nyvaldo Urquiza Monteiro. Dá para entender a dúvida desses e de muitos outros resenhistas. O que acontece é que só pensamos no MAS como conjunção que introduz uma oposição ou negação do que vem antes. Quando, porém, o MAS vem depois de uma frase negativa, ele assume, algumas vezes, o valor de senão que, mas sim. Com efeito, o não inicia uma asserção que, de forma negativa, exprime uma idéia que, a partir do MAS, será incluída e expandida. Quando no evangelho de João se lê “... para que todo aquele que nele crê não pereça, MAS tenha a vida eterna” (3,16), o “ter a vida eterna” não exclui, mas inclui e expande o “não perecer”. Assim, o “mas livrai-nos do mal” inclui e expande o “não nos deixeis cair em tentação”. É como se disséssemos: Além de não nos deixar cair em tentação, livrai-nos de todo mal. Assim, o mas tem aí um valor mais amplo que um simples “e”.
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A professora Cléo Costa, de Sorocaba/SP, pede explicação pelo fato de, na resposta a um resenhista, o senhor ter chamado de vogais as consoantes “h”, “r”, e “s”.
No seu e-mail, a professora transcreveu toda a minha resposta, mas o parágrafo que mereceu a crítica é este: “Com efeito, o segundo elemento só é ligado ao prefixo “auto” por meio de hífen quando ele (o segundo elemento) se inicia por vogal, ‘h’, ‘r’ e ‘s’”. Com isso, ela entendeu que eu estava chamando de vogais as consoantes ‘h’, ‘r’ e ‘s’ e pergunta: “Poderiam me dizer o que aconteceu?”. Aconteceu que a senhora interpretou de forma totalmente equivocada o meu texto. Se, por absurdo, eu quisesse chamar as consoantes ‘h’, ‘r’ e ‘s’ de vogais, eu teria escrito “quando ele (o segundo elemento) se inicia pelas vogais ‘h’, ‘r’ e ‘s’”. A interpretação correta da minha frase, da forma que foi redigida, só pode ser: “o segundo elemento só é ligado ao prefixo “auto” por meio de hífen quando ele (o segundo elemento) se inicia ou por vogal, ou por ‘h’, ou por ‘r’, ou por ‘s’”.
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O servidor público João Amaro, de Brasília/DF, quer saber a grafia correta da expressão “ampassã”, seu significado e sua origem.
Achei interessante que o resenhista tenha feito uma transcrição fonética bastante adequada do que ele ouviu: ampassã. Só que a grafia não é essa. Trata-se de uma expressão francesa, que se escreve com duas palavras: a primeira é en, que se pronuncia “an”, e corresponde à nossa preposição “em”; a segunda é passant, que se pronuncia “passã”, que é a forma do particípio presente (com valor de gerúndio) do verbo passer, e significa “passando”. A expressão formada por essas duas palavras, en passant, significa acidentalmente, de passagem, rapidamente, de leve, sem se deter... Pode-se dizer, por exemplo: Na entrevista, o presidente Lula só tocou en passant no caso Renan. Mas, cuidado! Dependendo do ambiente em que se use a expressão francesa, isso pode ser interpretado como pedantismo.
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A médica Susimeire Buglia, do bairro do Paraíso, em São Paulo, pergunta se a expressão correta é “falência múltipla de órgãos” ou “falência de múltiplos órgãos”.
Claro que essa não é a minha área. Mas a expressão que normalmente se ouve é “falência múltipla de órgãos”. No caso, a palavra falência tem o sentido de falha ou interrupção do funcionamento normal (de órgãos). Fala-se, por exemplo, de “falência renal”. O adjetivo múltiplo refere-se a algo que abrange várias coisas, que não é único ou simples. Então, salvo melhor juízo, parece-me que uma falência que diz respeito a diversos órgãos, é uma falência múltipla de órgãos. O que se pretende indicar é o tipo de falência, e não qualificar os órgãos em questão.
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A estudante Thaiz Aguiar, de Belo Horizonte/MG, pergunta pelo significado da expressão LETRA BASTÃO.
São letras bastão as letras de fôrma maiúsculas. Já as letras de fôrma minúsculas são chamadas letras de imprensa. Chama-se de letras cursivas às letras manuscritas, usadas no nosso dia-a-dia, que são traçadas de maneira rápida e corrente (daí seu nome), umas ligando-se às outras. A propósito, muitos alunos perguntam se, na redação do vestibular, é permitido o uso de letras de fôrma. O ideal é que cada um tenha a sua letra, de preferência bem legível. Mas nunca se disse que letra de fôrma tira ponto. Aliás, já vi redação nota 10 escrita com letras de fôrma.
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O motorista escolar Ricardo Antônio Paschoal Santi, do bairro da Saúde, em São Paulo, questiona o uso do plural da palavra céu em frases como “Levante suas mãos aos céus e agradeça”. Afinal, apesar de grande e infinito, o céu é um só.
Não sei qual é exatamente a idéia que o resenhista tem de céu. Mas do ponto de vista da tradição bíblica, é normal a palavra céu ser usada no plural. Na Bíblia, embora a palavra céu venha geralmente no singular, não é raro ser encontrada no plural. É freqüente a expressão “céu dos céus”, que significa “o céu mais alto”, que se pode verificar no versículo quarto do salmo 148. Paulo afirma ter sido “arrebatado até ao terceiro céu”, o que faz supor pelo menos um primeiro e um segundo. O plural de céu aparece, por exemplo, na interjeição Céus!, que indica surpresa ou dor, e também na expressão “cair dos céus”, que equivale a “cair das nuvens”. Na música “se eu quiser falar com Deus”, Gilberto Gil diz “tenho que subir aos céus...”. Aproveito para dizer à professora Goreth Furtado, de São Luís/MA, que também a palavra aleluia pode perfeitamente ser colocada no plural, dependendo do contexto.
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